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2 de Julho de 2022
  • 2º Grau
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Tribunal de Justiça do Ceará
há 2 anos

Detalhes da Jurisprudência

Órgão Julgador

2ª Câmara Direito Público

Publicação

02/12/2020

Julgamento

2 de Dezembro de 2020

Relator

MARIA IRANEIDE MOURA SILVA

Documentos anexos

Inteiro TeorTJ-CE_APL_00098866420188060126_06e2a.pdf
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Inteiro Teor

ESTADO DO CEARÁ

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA

GABINETE DESEMBARGADORA MARIA IRANEIDE MOURA SILVA

Processo: 0009886-64.2018.8.06.0126 - Apelação / Remessa Necessária

Apelante: Município de Mombaça

Remetente: Juiz de Direito da 1ª Vara da Comarca de Mombaça

Apelado: Suelene Mendes Leite Cavalcante

EMENTA:

APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO. SERVIDOR PÚBLICO. APOSENTADO. LICENÇA-PRÊMIO NÃO USUFRUÍDA EM RAZÃO DO INTERESSE PÚBLICO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ENTE PÚBLICO. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. SÚMULA 51 DO TJCE. PRECEDENTES DO STF, STJ E DESTA CORTE ESTADUAL.

1. Sustenta o ente municipal a prejudicial de mérito tocante à prescrição quinquenal. Com efeito, o termo a quo com vistas à contagem do lustro temporal no que concerne à conversão em pecúnia de licença-prêmio não usufruída requerida por servidor público aposentado começa do ato de aposentação. In casu, a apelada/autora se aposentou em 01.12.2015 , conforme documento de fl. 15, tendo ajuizado a presente lide em 23.03.2018 (fl. 02), de forma que, verifica-se a observância ao prazo delineado no art. , do Decreto nº 20.910/1932;

2. Nada obstante a inexistência de legislação municipal expressamente prevendo a possibilidade de transformar licençaprêmio não gozada em pecúnia após aposentadoria do servidor público, o STF, no julgamento do ARE nº 721.001/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, em sede de repercussão geral, decidiu que a questão é resolvida à luz da cláusula geral da responsabilidade objetiva do Estado, constante no art. 37, § 6º, da CF/88, consubstanciado, na hipótese vertente, em dano causado ao servidor em razão da não fruição de referido benefício por interesse da Administração Pública, sob pena locupletamento indevido do Poder Público;

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de sucumbência em 10% sobre a condenação, merece reparos a sentença adversada, uma vez que a decisão é ilíquida, de sorte que, a definição do percentual dessa verba somente se dará na fase de liquidação, nos moldes preconizados no art. 85, § 4º, II, do CPC;

4. Apelação Cível conhecida e desprovida. Reexame Necessário conhecido e provido em parte.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de Apelação Cível e Reexame Necessário, ACORDAM os Desembargadores Membros integrantes da 2ª Câmara de Direito Público do egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, por unanimidade, em afastar a prejudicial de mérito tocante à prescrição para, conhecer do recurso e da remessa oficial, a fim de negar provimento àquele e prover em parte esta, nos termos do voto da Relatora.

Fortaleza, dia e hora registrados no sistema.

Presidente do Órgão Julgador

DESEMBARGADORA MARIA IRANEIDE MOURA SILVA

Relatora

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RELATÓRIO

Cuida-se de Reexame Necessário e Apelação Cível interposta pelo MUNICÍPIO DE MOMBAÇA, visando reformar sentença proferida pelo juízo da 1ª Vara Cível, que julgou parcialmente procedente Ação de Cobrança ajuizada por SUELENE MENDES LEITE CAVALCANTE, condenando o ente público a pagar os valores dos meses não gozados de licença-prêmio, consoante Lei Municipal nº 378/1998.

Nas razões recursais, fls. 37/47, aduz o município a preliminar de prescrição quinquenal. No mérito, afirma que a licença-prêmio é o direito concedido ao servidor público para se afastar de suas atividades por determinado período de tempo com garantia da remuneração, sendo discricionário para a Administração Pública o momento de sua concessão, a fim de resguardar a eficiência e o interesse público, inexistindo na legislação pátria prazo limite para usufruto.

Defende que não poderá a licença-prêmio ser convertida em pecúnia até a aposentadoria do servidor público, devendo seu deferimento ou indeferimento ser valiado pelo Poder Público mediante sua conveniência e oportunidade, sendo uma faculdade do Poder Público o afastamento para fins de gozo dessa benesse. Assevera que inexiste lei municipal regulamentando a sua concessão, a despeito de o Estatuto dos Servidores Públicos a prevê.

Sustenta que a implementação da licença-prêmio é insindicável pelo Judiciário, sob pena de indevida intromissão no mérito do ato administrativo e violação ao princípio da separação dos poderes. Alega também a questão da reserva do possível, em virtude dos diminutos recursos municipais. Requer, assim, o conhecimento e provimento do presente recurso, reformando-se a sentença.

Nada obstante intimada, a autora não apresentou contrarrazões, conforme Certidão de fl. 51.

Deixo de encaminhar o feito à Procuradoria de Justiça, face a matéria posta em discussão não se enquadrar nas dispostas no art. 178 do CPC.

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VOTO

Em juízo de admissibilidade, conheço do recurso e da remessa oficial, posto que atendidos os requisitos legais (art. 1.010, § 3º, CPC/2015).

Sustenta o ente municipal a prejudicial de mérito tocante à prescrição quinquenal, asseverando que a autora pleiteia verbas a partir de 02.02.1998, sendo devido somente os valores dos últimos 5 (cinco) anos anteriores à citação da presente demanda.

Sabe-se que a prescrição é a perda de ação vinculada a um direito, em razão de sua não utilização no lapso de tempo legalmente previsto. Se o titular do direito permanece inativo, deixando de proteger, ao Estado compete declarar extinta, privando-o, por essa forma, de seu direito, como justa consequência de sua prolongada inércia, e, por esse meio, restabelecer a estabilidade do direito, pela cessação de sua incerteza, privilegiando, assim, a segurança jurídica e a ordem social.

À evidência, em se tratando de Fazenda Pública, que é a hipótese sub examine, além das disposições contidas no Código Civil de 2002, incide, também e principalmente, as regras delineadas no Decreto nº 20.910, de 06.01.1932, cujo art. 1º dispõe que a s dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram.

Nesse contexto, o dispositivo, é bem verdade, estabelece a prescrição quinquenal, de forma que, nos dizeres de Leonardo Carneiro da Cunha, é relevante perceber que o Decreto-lei 20.910/1932 estabelece que toda e qualquer ação ou pretensão contra a Fazenda Pública, seja qual for a natureza, prescrevem em 5 (cinco) anos 1 .

Com efeito, o termo a quo com vistas à contagem da prescrição quinquenal no que concerne à conversão em pecúnia de licença-prêmio não usufruída requerida por servidor público aposentado começa do ato de aposentação,

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já que enquanto estiver em exercício poderá gozar desse benefício.

In casu, a apelada/autora se aposentou em 01.12.2015 , conforme documento de fl. 15, tendo ajuizado a presente lide em 23.03.2018 (fl. 02), de forma que, verifica-se a observância ao lustro temporal delineado no art. , do Decreto nº 20.910/1932, restando forçoso afastar referida prejudicial de mérito.

Pois bem.

Da análise dos autos, evidencia-se que a autora é servidora pública do município de Mombaça/CE, ocupante do cargo efetivo de Costureira (fl. 13), aposentada em 01.12.2015, consoante ato de aposentação às fl. 15, requerendo a conversão em pecúnia de licenças-prêmio não gozada.

Na sentença (fls. 29/33), a magistrada julga parcialmente procedente a lide, condenando o ente público a pagar de forma simples os valores dos meses não gozados de licença-prêmio, consoante Lei Municipal nº 378/1998.

Cediço que, o princípio da legalidade, expressamente consagrado na Lei Maior, art. 37, caput, afigura-se certamente o norte, a diretriz básica de toda a atividade dos agentes públicos, significando, em apertada síntese, que toda e qualquer conduta administrativa deve ser autorizada por lei, não o sendo, a atividade é ilícita.

Sobre o princípio da legalidade, leciona José dos Santos Carvalho Filho, o princípio da legalidade é certamente a diretriz básica da conduta dos agentes da Administração. Significa que toda e qualquer atividade administrativa deve ser autorizada por lei. Não o sendo, a atividade é ilícita 2 .

Celso Antônio Bandeira de Melo doutrina que o princípio implica subordinação completa do administrador à lei. Todos os agentes públicos, desde o que lhe ocupe a cúspide até o mais modesto deles, devem ser instrumentos de fiel e dócil realização das finalidades normativas 3 .

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378/1998,prevê os requisitos com vistas à concessão da licença-prêmio, vejamos:

Art. 75. Após cada quinquênio de efetivo exercício o servidor fará jus a 03 (três) meses de licença, a título de prêmio por assiduidade, sem prejuízo de sua remuneração.

(…)

Art. 77. A Licença-prêmio, a pedido do servidor, poderá ser gozada por inteiro ou parceladamente.

No caso dos autos, afigura-se incontroverso que o autor cumpriu os requisitos legais para fins de concessão da licença-prêmio, quais sejam, a cada 5 (cinco) anos ininterruptos de efetivo exercício faz jus a 3 (três) meses de afastamento, haja vista que laborou no período de 02.05.1998 a 01.12.2015 (data de sua aposentadoria), de sorte que, cinge-se a controvérsia acerca da possibilidade de conversão da licença-prêmio em pecúnia (indenização) nos casos em que o servidor público pediu aposentadoria.

Com efeito, a licença-prêmio constitui benefício de natureza administrativa e sua concessão subordina-se à existência de previsão legal, como também o momento de sua fruição submete-se ao juízo de conveniência e oportunidade da Administração, isto é, não ocorre de forma automática, porquanto a permissão para o afastamento insere-se dentre os atos discricionários do Poder Público.

Todavia, a Administração Pública não pode deixar de cumprir a legislação que assegura ao servidor público o direito à licença-prêmio, muito menos essa margem de discricionariedade poderá ser indefinida, ad aeternum, pois a omissão implica em enriquecimento ilícito e violação ao direito adquirido do servidor.

Nada obstante a inexistência de legislação municipal expressamente prevendo a possibilidade de transformar licença-prêmio não gozada em pecúnia após aposentadoria do servidor público, o STF, no julgamento do ARE nº 721.001/RJ, rel. Min. Gilmar Mendes, em sede de repercussão geral, decidiu que a questão é resolvida à luz da cláusula geral da responsabilidade objetiva do Estado, constante no art. 37, § 6º, da CF/88, consubstanciado, na hipótese vertente, em dano causado ao servidor em razão da não fruição de referido benefício por interesse da

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Administração Pública, sob pena locupletamento indevido do Poder Público.

No caso concreto, à época e antes de sua aposentadoria, a autora preencheu todos os requisitos legais com vistas à concessão da licença-prêmio, porém, é crível admitir que não subsiste a discricionariedade da Administração quanto à conversão postulada, uma vez que, tendo sido posta à inatividade, não pode mais usufruir do benefício. E o pagamento, em forma de indenização, é a única possibilidade de assegurar-se o direito previsto na legislação municipal, sob pena de indevido locupletamento da Administração Pública.

Impende a transcrição de excerto do acórdão prolatado no ARE nº 721.001/RJ anteriormente citado:

Assim, a fundamentação adotada encontra amparo em pacífica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que se firmou no sentido de que é assegurada ao servidor público a conversão de férias não gozadas ou de outros direitos de natureza remuneratória em indenização pecuniária, dada a responsabilidade objetiva da Administração Pública em virtude da vedação ao enriquecimento sem causa .

Eis a ementa do julgado da Suprema Corte Constitucional:

Recurso extraordinário com agravo. 2. Administrativo. Servidor Público. 3. Conversão de férias não gozadas – bem como outros direitos de natureza remuneratória – em indenização pecuniária, por aqueles que não mais podem delas usufruir. Possibilidade. Vedação do enriquecimento sem causa da Administração . 4. Repercussão Geral reconhecida para reafirmar a jurisprudência desta Corte.

(ARE 721001 RG, Relator (a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 28/02/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL -MÉRITO DJe-044 DIVULG 06-03-2013 PUBLIC 07-03-2013 )

O STJ, outrossim, corrobora desse entendimento:

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CONSTATADOS. ACOLHIMENTO, EM EFEITO INFRINGENTE.

(...)

2. Aplica-se sobre o ponto omitido a Súmula 83/STJ, pois o entendimento do Tribunal de origem está de acordo com a jurisprudência do STJ: "O entendimento do STJ firmou-se no sentido de que é devida ao servidor público aposentado a conversão em pecúnia da licença-prêmio não gozada e não contada em dobro para aposentadoria, ainda que resultante de desaverbação, sob pena de enriquecimento ilícito da administração" (REsp 1.622.539/RS, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 5.11.2019, DJe 7.11.2019).

3. Por último, a contradição apontada quanto ao percentual de majoração dos honorários advocatícios está evidenciada. Assim, declara-se que prevalece o percentual fixado na ementa do acórdão embargado, isto é, 5% (cinco por cento) sobre o valor da verba sucumbencial fixada na segunda instância.

4. Embargos de Declaração providos, sem efeito infringente.

(EDcl no REsp 1791274/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/09/2020, DJe 14/10/2020)

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 3/STJ. MILITAR. LICENÇA ESPECIAL. CONVERSÃO EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM O ENTENDIMENTO FIRMADO NO ÂMBITO DESTE E.STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.

1. O acórdão recorrido encontra-se em sintonia com a orientação do STJ, no sentido de que "é devida ao servidor público aposentado a conversão em pecúnia da licença-prêmio não gozada, ou não contada em dobro para aposentadoria, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração" (AgInt no REsp 1570813/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 14/06/2016).

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(AgInt no REsp 1681606/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/12/2017, DJe 12/12/2017)

ADMINISTRATIVO. MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. EXONERAÇÃO. INGRESSO NA MAGISTRATURA. LICENÇA-PRÊMIO NÃO GOZADA. CONVERSÃO EM PECÚNIA. DIREITO DO SERVIDOR. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. PRECEDENTES. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL PARA A CONVERSÃO . ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE E DA SUPREMA CORTE.

1. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento desta Corte Superior, no sentido de que o servidor público que não gozou licença-prêmio a que fazia jus, por necessidade do serviço, tem direito à indenização em razão da responsabilidade objetiva da Administração.

2. É cabível a conversão em pecúnia da licença-prêmio não gozada, em razão do serviço público, sob pena de configuração do enriquecimento ilícito da Administração.

3. Agravo desprovido.

(AgRg no REsp 1116770/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 15/10/2009, DJe 09/11/2009)

Portanto, a hipótese vertente vai ao encontro da jurisprudência do STF e do STJ, no sentido de que o servidor público que não gozou licença-prêmio a que fazia jus, em virtude da necessidade do serviço, tem direito à indenização sob a fundamentação da responsabilidade objetiva da Administração Pública, art. 37, § 6º, CF/88, inobstante inexista legislação municipal com tal previsão.

Calha transcrever excerto de acórdão do STJ dispondo que a conversão em pecúnia das licenças-prêmios não gozadas, em razão do interesse público, independe de previsão legal, uma vez que esse direito, como acima apresentado, está calcado na responsabilidade objetiva do Estado, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição Federal, e não no art. 159 do Código Civil, que prevê a responsabilidade

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subjetiva (STJ, AgRg no RESP nº 1.116.770/SC, rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 15.10.2009).

Cumpre destacar, ainda, que esta egrégia Corte Estadual, ratificando referido posicionamento, editou o verbete sumular nº 51, que diz: É devida ao servidor público aposentado a conversão em pecúnia da licença-prêmio não gozada, sob pena de enriquecimento ilícito do Poder Público .

Corroborando com o esposado, têm-se julgados desta Corte Estadual em matéria idêntica:

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. REMESSA NECESSÁRIA. SERVIDORA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE SANTA QUITÉRIA/CE. APOSENTADA. LICENÇA PRÊMIO. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. MARCO INICIAL. ATO DE APOSENTAÇÃO. LICENÇASPRÊMIO NÃO GOZADAS. CONVERSÃO EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. SÚMULA Nº. 51 DO TJ/CE. VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DA ADMINISTRAÇÃO. REEXAME CONHECIDO E DESPROVIDO. SENTENÇA MANTIDA. 1. O cerne da questão versa sobre o direito ou não da Requerente, servidora pública do Município de Santa Quitéria/CE, à conversão em pecúnia das licenças-prêmio não gozadas e não contadas em dobro para sua aposentadoria. 2. Pois bem, a benesse da licença prêmio constitui um benefício do servidor (a) estatutário (a) que se revela assíduo no serviço, fazendo jus a três meses de afastamento remunerado a cada cinco anos ininterruptos de efetivo exercício, estando, in casu, art. 99 da Lei Municipal nº. 81-A/1993 – Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos do Município de Santa Quitéria 3. No caso dos autos, a Requerente logrou êxito em comprovar que ingressou como servidora no cargo de Auxiliar de Serviços do Município de Santa Quitéria/CE desde a data 01/04/1998, encontrando-se aposentada desde 14/03/2016 e que não usufruiu da licença-prêmio durante o período supramenciado, por essa razão, faz jus ao benefício, uma vez que o Município apelante não juntou aos fólios qualquer documento capaz de comprovar fato que modificasse, impedisse ou extinguisse o direito vindicado, não se desincumbindo do seu ônus, conforme expõe o art. 373, II, CPC. 4. Ressalta-se que este Tribunal de Justiça

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possui o entendimento acerca de que é devida a conversão quando da aposentadoria do servidor (Súmula nº. 51, TJCE), o que foi comprovado nos autos. 5. À vista disso, comprovado o atendimento às exigências da legislação municipal e a ausência de gozo do benefício pela parte autora quando em atividade, a supracitada vantagem deve ser convertida em pecúnia, a fim de evitar o enriquecimento indevido da administração pública. 6. Remessa Necessária conhecida e desprovida. Sentença mantida.

(Relator (a): LISETE DE SOUSA GADELHA; Comarca: Santa Quitéria; Órgão julgador: 1ª Vara da Comarca de Santa Quitéria; Data do julgamento: 19/10/2020; Data de registro: 20/10/2020)

ADMINISTRATIVO. LICENÇA PRÊMIO. MUNICÍPIO DE SANTA QUITÉRIA. DIREITO PREVISTO NO ESTATUTO DOS SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS. ART. 99 DA LEI Nº 89-A/1993. RECORRENTE QUE NÃO PROVA O FATO MODIFICATIVO, EXTINTIVO OU IMPEDITIVO DO DIREITO DA AUTORA. PRESCRIÇÃO REJEITADA. PRAZO QUE COMEÇA A FLUIR APÓS A PASSAGEM PARA A INATIVIDADE. PRECEDENTES STJ. CONVERSÃO EM PECÚNIA DAS LICENÇAS-PRÊMIO NÃO GOZADAS. POSSIBILIDADE. SÚMULA 51 DO TJCE. APELAÇÃO CONHECIDA E NÃO PROVIDA. REEXAME PROVIDO EM PEQUENA EXTENSÃO APENAS PARA EXCLUIR DA SENTENÇA A CONDENAÇÃO DO ENTE PÚBLICO NO PAGAMENTO DAS DESPESAS PROCESSUAIS E DETERMINAR QUE A VERBA HONORÁRIA SEJA APURADA EM LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

(Relator (a): PAULO AIRTON ALBUQUERQUE FILHO;

Comarca: Santa Quitéria; Órgão julgador: 2ª Vara da Comarca de Santa Quitéria; Data do julgamento: 19/10/2020; Data de registro: 20/10/2020)

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CONSTITUCIONAL, ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE COBRANÇA. NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. SERVIDORA PÚBLICA APOSENTADA. LICENÇA-PRÊMIO NÃO USUFRUÍDA EM RAZÃO DE INTERESSE PÚBLICO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ENTE PÚBLICO. VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DA ADMINISTRAÇÃO. DESPROVIMENTO. SENTENÇA MANTIDA . 1.O processo originário foi digitalizado, passando a tramitar eletronicamente no SAJPG. Embora não tenha sido juntado o ato judicial de cientificação do réu, os elementos extraídos do feito evidenciam que a municipalidade teve plena ciência do despacho inicial que designou audiência de conciliação e ordenou sua citação, com a expressa anotação de que o prazo para contestação teria início a partir da audiência. Tanto é verdade que o ente público se apresentou em juízo, representado por Procurador Adjunto, e participou de audiência, inclusive requereu prazo para manifestação. Esse comparecimento supre eventual falta ou vício de citação, pois a finalidade de cientificar o réu acerca dos contornos da demanda foi alcançada ( CPC, art. 239, § 1º), não sendo o caso, portanto, de declaração de nulidade ( CPC, art. 277). Preliminar rejeitada. 2.Embora não haja, em regra, norma expressa na legislação pertinente prevendo a conversão compulsória do benefício em dinheiro, os Tribunais Superiores orientam que esses casos específicos sejam solucionados sob a ótica da responsabilidade objetiva do Estado, o que significa dizer que o servidor não pode sair prejudicado pela supressão do seu direito, que não foi usufruído oportunamente em virtude da necessidade de manutenção da prestação do serviço público. 3.Para evitar o enriquecimento sem causa da Administração, justamente às custas da servidora que já rompeu o vínculo funcional ativo e não pode mais usufruir o benefício, a jurisprudência pátria consolidou o entendimento de ser cabível a conversão em pecúnia da licençaprêmio não gozada em razão do serviço público. Precedentes do STF, do STJ e desta e. Corte. Incidência da Súmula nº 51 do TJCE. 4.O ente público municipal não apresentou qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito vindicado, ônus que lhe competia ( CPC, art. 373, II). 5.Apelo conhecido e não provido.

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Comarca: Massapê; Órgão julgador: 1ª Vara da Comarca de Massapê; Data do julgamento: 19/10/2020; Data de registro: 19/10/2020)

APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO. CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. SERVIDORA PÚBLICA EXONERADA. LICENÇA PRÊMIO NÃO USUFRUÍDA EM RAZÃO DE INTERESSE PÚBLICO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ENTE PÚBLICO. VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DA ADMINISTRAÇÃO . SENTENÇA CONFIRMADA. 1.Embora não haja previsão legal expressa dessa conversão, os Tribunais Superiores orientam que esses casos específicos sejam solucionados sob a ótica da responsabilidade objetiva do Estado, o que significa dizer que o servidor não pode sair prejudicado pela supressão do seu direito, que não foi usufruído oportunamente em virtude da necessidade de manutenção da prestação do serviço público. 2.Para se evitar o enriquecimento sem causa da Administração, justamente às custas da servidora que já rompeu o vínculo funcional ativo e não pode mais usufruir o benefício, a jurisprudência pátria consolidou o entendimento de ser cabível a conversão em pecúnia da licença prêmio não gozada em razão do serviço público. Fartos precedentes do STF, do STJ e do TJCE. 3.Apelação e reexame conhecidos e não providos, em consonância com o parecer ministerial.

(Relator (a): ANTÔNIO ABELARDO BENEVIDES MORAES;

Comarca: Maracanau; Órgão julgador: 1ª Vara Cível; Data do julgamento: 13/02/2017; Data de registro: 13/02/2017)

ADMINISTRATIVO. APELAÇÃO EM AÇÃO ORDINÁRIA. SERVIDORA PÚBLICA MUNICIPAL. LICENÇA PRÊMIO. CONVERSÃO EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE DADA A APOSENTADORIA DA SERVIDORA. SÚMULA 51 DO TJCE. RECURSO APELATÓRIO CONHECIDO E IMPROVIDO. I- É devida ao servidor público aposentado a conversão em pecúnia da licençaprêmio não gozada, ou não contada em dobro para aposentadoria,

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sob pena de enriquecimento ilícito da Administração. II- A licença prêmio constitui-se em benefício de afastamento pelo período de 3 (três) meses a cada 5 (cinco) anos ininterruptos de exercício concedido ao servidor estatutário a título de prêmio por assiduidade. III- In casu, verifica-se que a apelada, servidora pública do município de Sobral, trabalhou por 32 (trinta e dois) anos no cargo de Professora e, durante esse período, jamais gozou licença prêmio ou converteu em tempo de serviço para fins de aposentadoria. IV- A Súmula 51 do TJCE diz: "É devida ao servidor público aposentado a conversão em pecúnia da licença-prêmio não gozada, sob pena de enriquecimento ilícito do Poder Público." VPrecedentes jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça e deste Sodalício. VI- Recurso Apelatório conhecido e improvido.

(Relator (a): FRANCISCO GLADYSON PONTES; Comarca: Sobral; Órgão julgador: 1ª Vara Cível da Comarca de Sobral; Data do julgamento: 07/10/2020; Data de registro: 07/10/2020)

Por fim, no que pertine à fixação dos honorários advocatícios de sucumbência em 10% sobre a condenação, merece reparos a sentença adversada, uma vez que a decisão é ilíquida, de sorte que, a definição do percentual dessa verba somente se dará na fase de liquidação, nos moldes preconizados no art. 85, § 4º, II, do CPC.

EX POSITIS , conheço da apelação cível e do reexame necessário, para negar provimento àquela e prover em parte este tocante à definição do percentual dos honorários advocatícios de sucumbência.

Impende a majoração dos honorários de sucumbência recursais (art. 85, § 11, CPC), todavia, a definição do percentual apenas ocorrerá na fase de liquidação, à luz do disposto art. 85, § 4º, II, do CPC.

É como voto.

Fortaleza/CE, dia e hora registrados no sistema.

Disponível em: https://tj-ce.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/1136332725/apelacao-remessa-necessaria-apl-98866420188060126-ce-0009886-6420188060126/inteiro-teor-1136332766